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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Só tu


“… De todos que me beijaram,
de todos que me abraçaram,
já não me lembro, nem sei!
São tantos os que me amaram, são tantos os que eu amei…
Mas tu, que rude contraste,
tu que jamais me beijaste, tu que jamais abracei,
só tu nesta alma ficaste de todos os que eu amei”

Paulo Setúbal

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

UTOPIA



E assim vivendo, percebi que "Palavras não devem voar esvaziadas de sentidos, dos bons ou não". E eu, humano que sou, em breves lapsos me esqueço disso. Quando acontece, e percebo que algumas das minhas palavras macularam e feriram, eu sofro. Hoje, quando nada tenho para falar ou escrever de bom; prefiro pensar, beber, amar, dormir e sonhar. Nunca todas essas ações juntas, e nem necessariamente na mesma ordem, como qualquer mortal.


José Silveira


sábado, 20 de agosto de 2011

"Não sou completa. Completa lembra realizada. Realizada é acabada. Acabada é o que não se renova a cada instante da vida e do mundo. Eu vivo me completando, mas falta um bocado!"

(C.Lispector)

domingo, 23 de janeiro de 2011


"Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morresem todos os meus amigos! Alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida... Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure sempre..."

Vinicios de Morais

sábado, 14 de agosto de 2010

Cheio do vazio


A minha voz diz:
Grita perdidamente
Já não sei quem sou
Não sou parecida com gente
-Talvez seja.....
Um sonho que passou,
Uma insónia doente,
Ou, alguém que muito amou
Sou dor perdida
No labirinto da vida
Sou coração doente
Que tenta seguir em frente.
Gosto da preta noite
Tão imensa e triste
Vejo-me abandonada
Para mim nada existe
Sinto que não valho
O chão que me suporta
Mas...encho-me de orgulho
Pois valerei depois de morta
Aí,terei tudo.....
Flores...Lagrimas....Saudades....
Parto, mas sei que fico
Deixo as minhas realidades.

Autor Desconhecido

segunda-feira, 12 de abril de 2010


De certo, por não sofrerem as coisas não envelhecem; A medalha no meu peito mais se esquece. O meu primeiro sapato tinha um pé novo e pequeno. Agora esse pé se encaminha para o nada e em tuas mãos ele brilha, meu sapato...

Renata Palotinni

domingo, 20 de dezembro de 2009

vida vivida


Por mais que muitas vezes me disseram que me dou demasiado às pessoas, que lhes dou todo o meu coração e que, inevitavelmente, saio magoada.

A verdade é que, por muito que tentemos, acabamos sempre por magoar as pessoas com esta ou aquela atitude e aí não há excepções

já que ninguém é perfeito.

Quando ouvi isto pela primeira vez pensei que essa pessoa estava errada, hoje sei que não mas sei também que esta é a única forma que conheço de viver, e posso ter as minhas desilusões mas nunca ficarei a pensar que poderia ter dado mais, que poderia ter oferecido mais um bocadinho de mim e talvez dessa forma não perdesse as pessoas.

E é desta forma que me orgulho de ser.

É desta forma que as pessoas que me interessam gostam de mim,

é desta forma que consigo acordar de manhã com um sorriso nos lábios

mesmo nos dias mais tristes e acreditem ando mesmo triste.

É desta forma que sei que, no dia em que perder alguém,

dei tudo o que tinha para dar e nada terá ficado por dizer.

Cristal

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Poemas...


Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos –
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos –
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai –
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte –
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Vinicios de Morais

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Canção do vento e da minha vida



O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.


[...]
O vento varria os sonhos
E varria as amizades...
O vento varria as mulheres...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres.


O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.


(BANDEIRA, M. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967.)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Que importa?




O que importa
A idade que tenho
e se meu corpo já grita o desgaste?
O que importa
se ainda sou uma eterna criança
querendo brincar?
O que importa
o ano que passou
ou os anos que passaram?
Se hoje,
nasce e Renasce o Amor
em NOVO DIA,
enfeitado de esperança,
cheio de poesias, fazendo-me feliz?
O que importa,
se do passado apenas
a sombra da lembrança,
volta a tona?
O que importa?
Saber o por quê das lagrimas que caíram
ou quantas foram?
Me diz?
O que importa
se hoje estou feliz
com o novo ano
que para mim chegou?
O que importa
se é primavera
e o canteiro ainda está florido
enquanto o outono chega
para derrubar as folhas?
O que importa
se as velas são muitas,
e se o melhor da festa
é o bolo
que vamos cortar?
Viver é tão bom
que esqueci o passado
esqueci as minhas lágrimas
nem sei mais o que é chorar?
O que importa
se ainda não aprendi
a poetar,
se a rima não vem
e não sai nenhum poema
e se não sei seguir o tema?
O QUE IMPORTA É:
que ainda tenho todos vocês
para me comentar,
e que no mundo só aprendi a amar,
por isso hoje, faço um convite:
Entrem na festa
nova vida, vou comemorar...
O que importa
se em cada abraço
eu volte a chorar?
Teresa Cordioli

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Canção



Nunca tivera eu querido
dizer palavra tão louca:
bateu-me o vento na boca,
e depois no teu ouvido.

Levou somente a palavra,
deixou ficar o sentido.

O sentido está guardado
no rosto com que te miro,
neste perdido suspiro
que te segue alucinado,
no meu sorriso suspenso
como um beijo malogrado.

Nunca ninguém viu ninguém
que o amor pusesse tão triste.
Essa tristeza não viste,
e eu sei que ela se vê bem...

Só se aquele mesmo vento
fechou teus olhos, também...


Cecilia Meireles

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Você e o tempo





Não deixe que ele passe,
...sem ficar.
Nao deixe que ele fique,
...sem passar.
Inspire-o,expire-o
E em frente!
Faça tempo para flor!
O sol eos pássaros,
para o estilingue;
Para a pesca e a briga.
Inspire-o,exspire-o
E em frente!
Deixe-o entrar
Na mochila,
No seu olhar,
Nos seus desejos...
Mas não o deixe ficar
Sem passar.
Faça dele seu aliado
Pra se formar...gente.
Guarde-o para o vinho,
A música
e os sonhos,
Mas não o deixe passar
Sem ficar.
E, finalmente,
Busque um tempo
Pra sorrir!